Tudo passa. Tudo sempre passará (?)


Ainda adolescente li um texto em que Freud discutia com um amigo sobre a transitoriedade das coisas. Os dois falavam sobre a beleza de um lugar florido, considerando que em pouco tempo a exuberante primavera cederia lugar à neve fria, sem cor e sem calor.
Gosto da idéia de Cristo acerca de seu primeiro milagre: o melhor vinho no fim da festa. Exatamente quando viria o cansaço, com o passar das horas, deveria vir o melhor gosto, a fina emoção da alma e a doçura do pensamento.
Voltando ao texto de Freud, ele afirmava que o belo existe e deve ser contemplado com vigor, ainda que efêmero. O que Cristo indica também me fascina: o melhor pode surgir mesmo que seja no final, quando não temos mais expectativas.
Na prática, para os mortais, parece não ser fácil compreender que o olhar apaixonado dos primeiros momentos de uma história de amor é inesquecível e assim, não transitório. Ao menos deveria ser assim.
Prefiro a orientação cristã que quer me convencer de que o que era bom pode ficar ainda melhor.
Isso significa milagre.
Paulo Freire dizia – amorosamente – que a história da gente não é um dado definido, acabado, determinado. é pos-si-bi-li-da-de.
Ah! …se a gente conseguisse, como Freud, manter a sensibilidade de desfrutar com grande prazer a beleza (mesmo que transitória), interferir na realidade de maneira amorosa e inteligente como Paulo Freire e transformar o bom no melhor da existência com cheiro de eternidade como Cristo…

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