Luan Sampaio. Grande amor.

Texto de Luan Sampaio, 15 anos:


“fELIZ ANIverSARiO…..
parabens…
tDb!
eu te amo mais que sua mae, seu pai, seus irmaos e Joe juntoooo…
hahaha…imaginou??!!
CArpe Diem…hihihihih huhuhuhuh

oBS::
te amo muito….
E queru bolo tb.
E brigadeiro tb.
E queru coxinha tb.
E kibe tb.
Enfim, quero tudo tb!!
kkkkkkkkkkkkkkkk
(que feio esse meu poema).”

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Minha tradução:

Feliz aniversário!

Parabéns!

Tudo de bom.

Eu te amo mais do que sua mãe, seu pai, seus irmãos e mais do que Joe lhe amam. O amor deles juntos. Rs. Imaginou??!!

Aproveite o dia! (Risos).

Observe:

Eu te amo muito…

E quero bolo também.

E quero brigadeiro também.

E quero coxinha também.

E quibe, também.

Enfim, quero tudo também!!!

(Risos).


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Amei as 250 mensagens que recebi pela Internet no dia do meu aniversário.

Joe blogou um texto que me fez chorar e ficar com vergonha até agora. Rs.

O texto acima é de Luan Sampaio, meu sobrinho-filhinho.

Eu amo Luan.

Amo como se fosse sua mãe. É um sentimento que não dá pra explicar, não.

É por isso que estou cumprindo o que lhe prometi: estou blogando ipsis literis

seu lindo poema de adolescente soteropolitano que, embora esteja na cidade grande e viva a correria das metrópoles compreende que amar está num lugar de excelência na vida da gente.

O importante dos nossos textos, Lu, é que façam parte do que temos de mais precioso em nossa existência. Sejam eles bem elaborados e compostos por palavras rebuscadas ou sejam eles assim: escritos com tanta espontaneidade e beleza adolescente.

Estou blogando seu texto, Luan, porque você expressou, do seu jeito, um sentimento tão importante e urgente em nossos dias que não dá pra não considerar que é um dos textos mais ricos e bonitos que já recebi em toda a minha vida.

Blogo o seu texto porque você fez e faz parte significativa de minha existência. Porque cada vez que você – e Netinho – me dão carona de bicicleta estão afirmando através da força física do pedal ciclista: “essa gatinha aqui é minha tia. E eu a carrego. A amo.” E isso pra mim não tem preço, Bimbo!

Registro na Net seu texto na busca de perpetuar nosso amor num âmbito mundial. Eu acredito que, de alguma forma, quando nós não existirmos mais, daqui a cem anos, alguém vai abrir por acaso o meu blog e perceber que um sobrinho amou tanto uma tia que, aos quinze anos de idade se esforçou para escrever-lhe um poema.

Não, Binho! Isso não é “pagar mico”. E se for, eu quero “pagar gurilas”. Quero registrar toda e qualquer expressão do que nos faz grandes, do que nos faz pessoas especiais, insubstituíveis, únicos. Entendeu?

Eu tenho orgulho de ser sua tia!

E obrigada pelo lindo poema.

Jequié, na Bahia, minha cidade

Minha cidade é lugar onde construo minha história.


É aqui onde nasci, onde vivo, estudo, trabalho.


Aqui eu vejo as delícias de um povo baiano acolhedor e manso, de um pôr-do-sol tipo cartão postal.


As experiências vividas por mim em suas ruas, bairros e esquinas, no Rio das Contas e nestes lugares todos tão meus desta cidade não são as que foram vividas necessariamente por você.


A cidade é o lugar de minhas e das suas singularidades. De nossas particularidades. Das boas e amargas experiências. Do encontro amigáveis. Da boa comidinha e da cultura com a qual, de um modo geral, me identifico.


Minha tendência é imitar o jeito de ser, pensar e agir dos meus conterrâneos porque é aqui onde construímos nossa identidade. Nossa fé. Nossa própria vida.


Eu gosto de pensar e saber que a Praça Ruy Barbosa, por exemplo, me remete a um intelectual que, como qualquer outro baiano, foi e continuar sendo além de participante, patrimônio histórico de minha terra. Pena que seu busto, verdadeira obra de arte do Sr. Bünge, esteja lá sem qualquer iluminação. Sem destaque. Esquecido. Não é valorizado por ninguém. (Outro dia havia até uma placa anunciando a venda de uma casa particular pregada na placa do Ruy!).


A cidade é o lugar onde a gente vive. Onde se constitui família, onde a gente encontra lugar de abrigo e proteção. Assim, à moda de Leonardo Boff, minha cidade é o lugar das vizinhanças e de irmandade. Lugar de aconchego e realizações. Sobretudo é aqui que a coletividade tenta sobreviver. Vai sobrevivendo.


Assim, Jequié é o lugar de minhas e de suas possibilidades.


Se penso assim, minha interferência nesta comunidade é algo imperativo. Eu estou aqui dentro e percebo, em minha pele, que o mal que fere a cidade machuca meu próprio calo. Sinto reflexos do que nos maltrata a todos: violência gera violência; injustiça social gera violência e desamor; desigualdade social gera violência. O mal só pode geral o próprio mal.


Nossa liderança política deve ter sensibilidade para olhar atentamente às necessidades da população, do gemido social.


Deve também conduzir de forma justa e respeitosa o erário público.


Negar o suborno ou as facilitações que apenas atendam às prioridades pessoais.


Deve respeitar e fazer valer os direitos da coletividade.


Que todas as instâncias do poder público não usem indevidamente os bens e serviços do Município como tanto se faz.


Se esses e outros limites da democracia forem atendidos, nosso lugar será muito mais acolhedor e promissor para toda a população.

Ter 34 anos.

A maioria das mulheres prefere esconder a idade.

Fazer 34 anos de vida é uma coisa surpreendente.

A gente sente as mudanças na pele e vê que é necessário cuidar mais do corpo.

A gente compreende melhor que é preciso matar todos os dias o mal de dentro e a pressão de fora. Senão não se consegue ser feliz.

Fica mais simples entender que o outro é um não-eu tão precioso como eu mesma.

A gente compreende melhor que talvez essa seja a metade de minha vida e, ao contrário de ter a impressão de que ainda não fiz nada, essa compreensão deve me impulsionar para viver ainda melhor os anos que me restam – tomara que sejam muitos!

Também já sei que não importa se eu tenho alguns diplomas debaixo do braço. O que me humaniza é o respeito ao próximo e a dosagem diária de amor. O exercício de amar tão difícil, tão complicado de ser vivido nestes dias de concorrência e do “salve-se quem puder”.

Entende que as pessoas que me disseram que me amavam e que não sobreviveriam sem minha presença não mentiram, mesmo quando tiveram que tomar decisões por outros caminhos além de mim.

Do mesmo jeito eu não menti quando disse a alguém que o amava. O fato de hoje amar uma nova pessoa não descarta a verdade do amor que outrora vivi e senti. Quero dizer com isso que as coisas mudam e as pessoas passam, incluindo nós mesmos.

O tempo vai passando e a gente aprende que, sobretudo, amar é urgente e imperativo!!

E a gente também percebe melhor o quanto é inacabada, precária, imperfeita, incompleta, desejante, egoísta, boa, má, orgulhosa, intolerante, amorosa. Ninguém é 100% bom ou mal. Ninguém, então, merece deixar de viver.

Morrer agora é deixar de experimentar com responsabilidade a vida. Perder de se deliciar com ela!

Morrer agora é não ter a sensibilidade de observar que o mal de alguns é o mal de toda a coletividade e que não se pode ser feliz ilhado no seu mundinho desprovido dessa percepção.

Morrer agora é estar distante do Centro da vida, da natureza, do cosmos. É construir qualquer tipo de violência, de intolerância (um tipo horrível de violência!), de desamor, de desprazer.

A morte não é apenas o não-viver. A morte é tudo o que potencialmente desconstrói em mim a sede de viver e de ver outros viverem. Felizes. Plenos. Humanos.

Os dias que se passaram deixaram pegadas de dores e alegrias marcadas em minha existência. E cada dor e cada alegria sentida serviram de instrumentos para a construção de minha identidade e de meu jeito de ser, pensar e agir. Ou seja: tudo valeu a pena. Exatamente t-u-d-o.

Eu poderia gastar horas falando das dores e das delícias que já me fizeram tanto chorar e sorrir e sorrir e chorar. Porém quero pontuar que ter lido e experienciado as maravilhas da Bíblia me fizeram ser alguém melhor. Além de me desafiarem – ainda hoje! – a ser um pouco melhor todos os dias.

A gente se faz e se desfaz a cada minuto.

Hoje eu completei 34 anos de vida!

Vividos.